Durante décadas, uma questão dividiu pesquisadores: o Tiranossauro rex era um dinossauro de sangue frio, dependente do ambiente para regular a própria temperatura, ou conseguia manter o corpo aquecido por conta própria?

T. rex era de sangue quente? Dentes fossilizados ajudam a responder um dos mistérios dos dinossauros
T. rex era de sangue quente? Dentes fossilizados ajudam a responder um dos mistérios dos dinossauros · Imagem: Source: olhardigital.com.br

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T. rex era de sangue quente? Dentes fossilizados ajudam a responder um dos mistérios dos dinossauros
T. rex era de sangue quente? Dentes fossilizados ajudam a responder um dos mistérios dos dinossauros · Imagem: Source: olhardigital.com.br

Uma nova análise de dentes fossilizados fornece a evidência mais direta até agora de que o famoso predador tinha sangue quente. Segundo o estudo publicado na revista Science Advances, o T. rex apresentava temperatura corporal de aproximadamente 36,3 °C, muito próxima à dos seres humanos.

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T. rex era de sangue quente? Dentes fossilizados ajudam a responder um dos mistérios dos dinossauros · Imagem: Source: olhardigital.com.br

O resultado foi obtido a partir da análise de três dentes de T. rex encontrados na Formação Hell Creek, em Montana (EUA). Os pesquisadores examinaram os esmaltes fossilizados em busca de ligações entre isótopos raros de carbono e oxigênio, cuja formação varia de acordo com a temperatura.

Dente fossilizado de T. rex
Dente fossilizado de T. rex · Imagem: Dentes fossilizados do dinossauro foram determinantes – Imagem: UCLA

Dentes funcionam como um “termômetro” de milhões de anos

Imagem da matéria: T. rex era de sangue quente? Dentes fossilizados ajudam a responder um dos mistérios dos dinossauros
Imagem da matéria: T. rex era de sangue quente? Dentes fossilizados ajudam a responder um dos mistérios dos dinossauros · Imagem: Source: olhardigital.com.br

- A técnica utilizada pelos pesquisadores se baseia no comportamento de isótopos pesados de carbono e oxigênio;

T. rex era de sangue quente? Dentes fossilizados ajudam a responder um dos mistérios dos dinossauros
T. rex era de sangue quente? Dentes fossilizados ajudam a responder um dos mistérios dos dinossauros · Imagem: Source: olhardigital.com.br

- Em temperaturas mais baixas, esses isótopos formam determinadas ligações químicas com maior frequência;

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T. rex era de sangue quente? Dentes fossilizados ajudam a responder um dos mistérios dos dinossauros · Imagem: Source: olhardigital.com.br

- A quantidade dessas ligações preservada no esmalte permite, portanto, estimar a temperatura em que o tecido se formou;

- O esmalte dos dentes é particularmente útil para esse tipo de análise porque sua estrutura cristalina é extremamente resistente à alteração química ao longo de milhões de anos.

O método já havia sido desenvolvido para estudar a temperatura corporal de animais extintos, mas exigia uma quantidade maior de material fossilizado. O aprimoramento da técnica reduziu em cerca de 90% a quantidade necessária, permitindo que os pesquisadores trabalhassem com apenas alguns miligramas de esmalte de dentes de T. rex.

Isso foi importante porque dentes de T. rex são peças extremamente raras em coleções de museus. Para realizar o estudo, os pesquisadores receberam autorização para retirar pequenas amostras de dois dentes pertencentes a Thomas, um exemplar de T. rex preservado no Museu de História Natural do Condado de Los Angeles.

Os fragmentos de esmalte foram retirados com uma broca odontológica e dissolvidos em ácido fosfórico. O processo liberou dióxido de carbono contendo os isótopos necessários para a análise. Em seguida, os pesquisadores utilizaram um espectrômetro de massa para determinar as proporções químicas e calcular a temperatura corporal do animal.

O resultado foi de 36,3 °C. Para comparação, répteis modernos de sangue frio costumam apresentar temperaturas corporais na faixa de 28 °C a 30 °C, enquanto aves — descendentes de uma linhagem de dinossauros — normalmente ficam entre 40 °C e 43 °C.

“A temperatura é aproximadamente o que eu teria imaginado”, afirmou Robert Eagle, geobiólogo da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) e coautor do estudo. Segundo ele, o valor é superior ao de um réptil ou de um mamífero de metabolismo mais lento, como uma preguiça, mas inferior ao observado em aves.

Dentes fossilizados do dinossauro foram determinantes – Imagem: UCLA

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T. rex não dependia apenas do calor do ambiente

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A descoberta também ajuda a diferenciar o T. rex de animais ectotérmicos, que dependem de fontes externas de calor para elevar a temperatura corporal.

Os pesquisadores compararam os resultados com dentes de crocodilianos encontrados na mesma região. Esses animais apresentaram temperaturas corporais de aproximadamente 30 °C, abaixo dos 36,3 °C registrados no T. rex. Isso indica que a temperatura do dinossauro não era simplesmente resultado das condições ambientais de Hell Creek.

Para os pesquisadores, a diferença é consistente com a ideia de que o T. rex produzia internamente grande parte do calor necessário para manter sua temperatura corporal.

A descoberta também combina com outras evidências acumuladas ao longo dos anos de que tiranossauros e outros grupos de dinossauros apresentavam características associadas à endotermia. Ainda assim, isso não significa que todos os dinossauros fossem de sangue quente: as evidências indicam que diferentes grupos poderiam apresentar estratégias fisiológicas distintas.

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Predador ativo e adaptado ao frio

Uma temperatura corporal próxima à humana ajuda a explicar algumas características atribuídas ao T. rex. Um animal endotérmico precisa de mais energia para manter o metabolismo e a temperatura corporal, mas também consegue sustentar níveis elevados de atividade sem depender do aquecimento proporcionado pelo ambiente.

Segundo os pesquisadores, um T. rex de sangue quente seria um animal energético e ativo, capaz de perseguir ou procurar alimento para abastecer seu metabolismo acelerado.

A descoberta também pode ajudar a explicar como o T. rex conseguiu ocupar regiões com grandes variações de temperatura. Fósseis de tiranossauros já foram encontrados em locais de clima frio, incluindo o atual Alasca.

De acordo com Aradhna Tripati, geoquímica da UCLA e coautora do estudo, os dentes mostram que o T. rex era mais quente do que o ambiente ao seu redor. A capacidade de manter o próprio calor teria permitido que o animal ocupasse uma área muito ampla, potencialmente incluindo regiões árticas.

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O resultado representa a primeira estimativa direta da temperatura corporal do T. rex e fornece uma evidência química para uma característica que pesquisadores já suspeitavam há anos. Agora, a mesma técnica poderá ser aplicada a outros animais extintos para investigar quando e como a capacidade de manter o corpo aquecido evoluiu entre os dinossauros.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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Tags: dentes fóssil temperatura tiranossauro rex