Sondagens de boca das urnas mostram perdas significativas para o partido de centro-direita CDU de Merz nos estados de Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental

20 set 2026 - 15h57

(atualizado às 16h21)

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- Por: Amy Walker; Jessica Parker - correspondente em Berlim

Resumo

O chanceler alemão Friedrich Merz classificou como "desastre" as derrotas de seu partido, a CDU, em eleições regionais em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, onde a extrema-direita AfD e a esquerda Die Linke avançaram. Sob forte pressão, baixa popularidade e rumores de substituição prematura após 16 meses no poder, Merz prometeu seguir no cargo e manter sua agenda de reformas econômicas e sociais, medidas que ele defende como essenciais para conter a crescente onda autoritária no país.

Merz divulgou uma declaração logo após a divulgação das pesquisas de boca de urna em Berlim e Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental.

Foto: Reuters / BBC News Brasil

O pressionado chanceler alemão Friedrich Merz prometeu permanecer no cargo, apesar de pesquisas de boca de urna em duas eleições locais indicarem derrotas significativas para seu partido, a União Democrata-Cristã (CDU), de centro-direita.

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No estado de Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental, no nordeste do país, a projeção era de que o partido conseguisse entrar no parlamento estadual por uma margem apertada, enquanto o partido de direita radical Alternativa para a Alemanha (AfD) estava a caminho de obter o maior número de votos.

Merz classificou o resultado como "um desastre" para seu partido.

Em Berlim, a CDU, que governa a cidade, também deveria ser derrotada pelo partido de esquerda Die Linke.

Merz está sob crescente pressão, com baixos índices de aprovação e rumores de que ele poderia até ser substituído no meio do mandato em uma chamada troca de chanceler.

As eleições ocorreram neste domingo (20/9), duas semanas depois de a CDU ter visto sua votação cair pela metade, quando a AfD obteve uma grande vitória no estado da Saxônia-Anhalt.

Repetindo comentários que fez após aquela derrota, Merz disse a jornalistas no domingo que seguiria adiante com os planos de seu governo de coalizão para aprovar um pacote de reformas econômicas, tributárias e de assistência social.
"As reformas precisam acontecer", insistiu. "Estou assumindo essa responsabilidade porque quero fazer nosso país avançar."
"Eu iria ainda mais longe e diria que essas reformas são o antídoto para o veneno autoritário que, com o fascínio pelo autoritarismo, está penetrando cada vez mais profundamente em nossa sociedade", acrescentou Merz.
A principal candidata do Die Linke em Berlim, Elif Eralp, comemora após a divulgação das pesquisas de boca de urna
Foto: EPA / BBC News Brasil
À medida que os resultados projetados apareciam na tela durante o evento da noite eleitoral da CDU em Berlim, não houve comemoração nem aplausos.
Este é um partido que sabe que está em apuros.
Friedrich Merz está partindo para a ofensiva, declarando rapidamente que não vai a lugar algum.
Ele há muito tempo ambiciona o cargo mais importante da política alemã e provavelmente não vai abrir mão dele facilmente.
As urnas nos dois estados fecharam às 18h no horário local (13h no horário de Brasília), e o resultado final é esperado nas próximas horas.
As emissoras públicas ZDF e ARD colocaram a AfD à frente em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental. Segundo a ZDF, a projeção era de que o partido obtivesse 38% dos votos no estado, seguido em segundo lugar pelo SPD, de centro-esquerda, com 36%.
No entanto, é improvável que a AfD governe o estado, já que os demais partidos se recusam a trabalhar com ela.
Em Berlim, a emissora projetou a CDU com 20% dos votos no fechamento das urnas, atrás do Die Linke, com quase 26%.
Pressão sobre Merz aumenta
Antes das eleições deste domingo, havia intensa especulação na Alemanha de que Merz poderia ser substituído caso a situação política de seu partido não melhorasse.
No início desta semana, os líderes de oito estados alemães manifestaram apoio a Merz, que ocupa o cargo há apenas 16 meses.
Houve uma reação discreta às pesquisas de boca de urna durante o evento da CDU na noite da eleição, em Berlim
Foto: Reuters / BBC News Brasil
Burkard Dregger, integrante da CDU no Senado de Berlim, disse à BBC que Merz deveria permanecer no cargo. "Ele tem muito trabalho a fazer e não temos tempo a perder para formar um novo governo no âmbito federal".
Ele descreveu o eleitorado como "impaciente", acrescentando que "não é realista esperar que todas as questões tenham sido resolvidas em um ano".
"Ele tem quatro anos e temos que dar os quatro anos a ele", disse Dregger.
Embora seus apoiadores argumentem que muitos dos problemas enfrentados pelo país foram herdados, o próprio Merz é profundamente impopular.
A guinada à direita do ex-advogado em questões como imigração não conseguiu reduzir o apoio à AfD e, ao mesmo tempo, afastou ainda mais as pessoas que estão à esquerda.
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