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Investigações criminais, bastidores do poder e a vida política de Brasília
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O ministro Kássio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral — Foto: Antônio Augusto/TSE
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) veem a operação realizada contra o desembargador Newton Ramos, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), como uma “porta de entrada” para a coleta de informações sobre Kassio Nunes Marques. Alvo de uma ação de busca em seu gabinete por ordem do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Ramos é identificado no celular de Daniel Vorcaro como integrante da “Turma KN”, em referência a Nunes Marques.
No início da semana, integrantes do Supremo já aguardavam que alguma medida fosse tomada em relação ao desembargador para aprofundar os fatos citados nas mensagens do celular de Vorcaro. Além do procedimento de busca determinado pelo corregedor nacional do CNJ, Benedito Gonçalves, revelado pela colunista Malu Gaspar, os magistrados acreditam que outro processo de investigação pode ser aberto pelo corregedor-geral da Justiça Federal, ministro Mauro Campbell, que tem competência sobre toda a Justiça Federal.
A expectativa no STF é que a investigação administrativa envolvendo Newton Ramos possa se expandir para diferentes frentes do TRF-1, tribunal onde ele atuava e que é visto na corte como um tribunal com grande influência de Nunes Marques. Ministro do STF nomeado por Jair Bolsonaro, Nunes Marques ficou no TRF-1 de 2011 a 2020, quando foi indicado para o Supremo.
— Acreditamos que virá muita informação relacionada ao ministro Nunes Marques — disse à coluna um ministro do STF.
As mensagens do celular de Vorcaro revelam que o ex-banqueiro contratou o escritório de advocacia de Camilla Ramos, esposa do desembargador Newton Ramos, para atuar em vários processos relacionados ao Banco Master. Newton é citado nas conversas como membro da “Turma KN” e aparece negociando favores pessoais com Vorcaro e seus aliados, incluindo ingressos para a Fórmula 1, shows em hotéis de luxo, camarotes VIP no Carnaval do Rio e hospedagem em hotéis cinco estrelas.
Além das mensagens, um arquivo no celular de Vorcaro mostrou que o escritório de Camilla Ramos firmou contrato com o Banco Master prevendo honorários de 5% sobre o benefício bruto econômico obtido em ações envolvendo precatórios do setor sucroalcooleiro. O acordo, revelado inicialmente pelo site Metrópoles e confirmado pelo jornal O Globo, atribui um valor estimado de 8,5 bilhões. Aplicado o percentual previsto no acordo, a remuneração potencial do escritório chegaria a cerca de R$ 427 milhões.
Em nota, Newton Ramos disse que: “a Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça realizou uma correição extraordinária em seu gabinete com o objetivo de levantar informações em processos que envolvem o setor sucroalcooleiro. O magistrado ressalta que permanece no pleno exercício de sua jurisdição, atuando e julgando normalmente os demais processos sob sua responsabilidade. O Desembargador confia no trabalho desempenhado pela Corregedoria do CNJ, o qual considera natural e regular. Por fim, reafirma que está à inteira disposição do órgão para prestar todos os esclarecimentos necessários e sanar eventuais dúvidas sobre os casos em análise”.
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- Kassio Nunes Marques
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