Seis pessoas morreram, incluindo uma criança, após a ocorrência do desabamento na Penha. Um homem foi preso e outros dois são procurados; defesa não se manifestou

14 set 2026 - 09h49

(atualizado às 10h40)

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- Por: Geovanna Hora

Resumo

O desabamento de um prédio em construção de 12 andares sobre uma casa deixou seis mortos e dois feridos na Penha, zona leste de São Paulo. A maioria das vítimas era de nacionalidade boliviana. A Polícia Civil prendeu um suposto sócio oculto da construtora New Home e busca outros dois representantes foragidos. A obra já havia sido interditada por irregularidades, e a prefeitura investiga uma servidora por suspeita de ter emitido um laudo falso atestando uma demolição prévia não realizada.

Seis pessoas morreram após um prédio em construção desabar sobre uma casa na Penha.

Foto: Taba Benedicto/Estadão / Estadão

Seis pessoas morreram, incluindo uma criança, após o desabamento de um prédio em construção sobre uma casa na Penha, na zona leste de São Paulo, na madrugada de sábado, 12.

Um homem apontado como sócio-proprietário oculto da construtora responsável pela construção do edifício foi preso temporariamente. Outros dois mandados de prisão temporária foram expedidos contra representantes da empresa.

Como o incidente ocorreu?

O incidente ocorreu na Rua Tequici, por volta das 2h de sábado. O prédio de 12 andares em construção desabou e atingiu a casa ao lado.

Chovia no momento do desabamento. No entanto, a Defesa Civil do Estado afirmou que não era possível confirmar uma relação entre o incidente e as chuvas.

Quem são as vítimas?

Mais de 70 bombeiros e militares, com o apoio de 22 viaturas e um cão farejador, trabalharam nas buscas pelas vítimas, que duraram quase 36 horas.

Uma menina de sete anos e um homem foram resgatados com vida no sábado e encaminhados ao Hospital Municipal do Tatuapé com escoriações leves. Outras seis pessoas morreram: três mulheres, sendo uma delas grávida, dois homens e uma criança.

As identidades não foram divulgadas. O Governo de São Paulo informou que sete vítimas são bolivianas e uma paraguaia. Os corpos serão transportados à Bolívia para sepultamento.
Quem foi preso?
O caso é investigado pelo 24º Distrito Policial, da Ponte Rasa. A Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo (SSP) informou que a Polícia Civil prendeu temporariamente, na manhã de domingo, 13, Ronaldo Vivacqua, apontado como sócio-proprietário oculto da New Home Construtora, responsável pela construção do edifício. O homem foi levado ao 24º DP para depoimento e segue à disposição da Justiça.
As diligências prosseguem para o cumprimento de outros dois mandados de prisão temporária expedidos contra representantes da empresa: Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo e responsável técnico pela obra, e Isis Brandão, mulher de Cristiano e sócia da construtora. Os dois estão foragidos.
Procurada, a defesa dos citados não retornou à tentativa de contato do Estadão. O espaço segue aberto.
A delegada titular do 24º DP e responsável pelo caso, Deidiene Fialho Costa Éboli, afirmou que a decretação das prisões levou em conta indícios de que o risco de desabamento era previsível. Também foi considerado o fato de que os responsáveis pela empresa não se apresentaram espontaneamente para prestar esclarecimentos, colocar-se à disposição das apurações e ajudar nas buscas com informações técnicas sobre a edificação.
"Tememos também pelo risco de fuga e destruição de possíveis provas", afirmou a delegada.
O que diz a construtora?
Em nota, a New Home manifestou "profunda solidariedade às famílias atingidas pelo ocorrido" e colocou-se à disposição para prestar o auxílio necessário.
A empresa afirmou que a edificação não estava em situação de irregularidade administrativa. "A regularização da edificação foi formalmente reconhecida pelo Município de São Paulo, que, após vistoria realizada no local, informou nos autos judiciais a regularização das obras e a expedição do competente Alvará de Aprovação e Execução de Edificação Nova", afirmou.
Segundo a construtora, a regularização resultou na revogação de uma decisão liminar que anteriormente determinava a paralisação da obra.
A New Home também afirmou que qualquer conclusão sobre as causas do colapso da edificação seria "prematura" neste momento e que a determinação da causa técnica deverá decorrer de pericia realizada por profissionais e órgãos competentes, mediante análise de todos os elementos estruturais, construtivos e das intervenções existentes no entorno do imóvel.
A empresa disse que uma obra nos fundos da edificação, com possível intervenção, escavação ou exposição próxima à região das fundações, "causa especial preocupação e deverá ser tecnicamente investigada". "A construtora não fará acusações antecipadas nem atribuirá responsabilidades sem prova técnica", acrescentou.
O que a Prefeitura de SP investiga?
A Prefeitura de São Paulo informou que a construção começou em 2019 sem alvará e foi alvo de sucessivas fiscalizações da Subprefeitura da Penha. Foram aplicadas multar - uma delas de R$ 119 mil - e a obra foi interditada.
Diante do descumprimento das determinações, a Procuradoria-Geral do Município recorreu à Justiça em 2021 e obteve uma liminar que determinava a paralisação imediata dos trabalhos. Em 2022, um novo projeto para o terreno foi apresentado à gestão municipal. Em agosto de 2023, um novo alvará foi concedido, mas condicionado à demolição da estrutura anterior.
Em fevereiro de 2024, uma vistoria resultou em laudo assinado por uma servidora da Subprefeitura da Penha que atestava o cumprimento da demolição. No entanto, essa vistoria é investigada pela Controladoria-Geral do Município (CGM).
Segundo apuração preliminar da Prefeitura de São Paulo, a partir de checagens com moradores da região e de imagens de satélite, a demolição exigida no alvará de 2023 não teria sido realizada. A servidora responsável pelo laudo foi afastada das funções por 30 dias.
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