No sítio de Chengba, no sudoeste da China, uma cidade chinesa da dinastia Han reapareceu com muralha de 725 metros, ruas, oficinas e acesso ao rio. A estrutura mais rara é uma possível “porta d’água”, ligada ao controle de barcos, pessoas e mercadorias há cerca de 2.000 anos e à rotina urbana local.
O que apareceu dentro dessa cidade chinesa de 2.000 anos?
A área urbana de Chengba ocupava aproximadamente 50 mil m² e era cercada por uma muralha com cerca de 725 metros de perímetro, além de um fosso. O conjunto pertence à dinastia Han, que governou a China por séculos.
Dentro e ao redor das defesas, os arqueólogos identificaram ruas e fundações, uma área funerária, produção de cerâmica e um cais fluvial. Essa distribuição sugere que a cidade separava funções de moradia, circulação, produção e administração em setores conectados ao rio Qujiang.
Cidade Han de Chengba revela muralha, oficinas e porta d’água - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Por que Chengba pode ter sido a antiga cidade de Dangqu?
Um dos indícios mais fortes está nas telhas encontradas com os caracteres de “Dangqu”. O estudo publicado pela Antiquity combina essas inscrições com registros históricos e considera muito provável que Chengba corresponda à antiga cidade de Dangqu.
A localização ajuda a sustentar essa interpretação. Chengba ficava junto ao Qujiang e perto de uma passagem pelas montanhas Daba, posição que facilitava conexões entre diferentes regiões. Mesmo com o terreno difícil, transporte fluvial e rotas terrestres davam à cidade um papel estratégico.
Como a possível “porta d’água” podia funcionar junto ao rio?
A estrutura próxima ao cais chama atenção pela posição e pelos documentos de bambu encontrados na área. A hipótese é que a porta d’água funcionasse como ponto de passagem entre terra e rio, permitindo inspecionar viajantes, barcos e cargas e controlar recursos e mercadorias.
Os indícios se encaixam em três funções:
- Circulação: organizar a passagem entre o rio, o cais e a área urbana.
- Fiscalização: acompanhar pessoas, barcos e mercadorias em trânsito.
- Administração: controlar recursos e registrar atividades ligadas ao comércio local.
O que mais de 20 mil vestígios de fundição revelam?
Além do controle de circulação, Chengba também tinha produção metalúrgica importante. Foram recuperados mais de 20 mil fragmentos de escória, revestimentos de fornos e tubeiras, peças usadas para conduzir ar ao fogo e alcançar temperaturas adequadas à fundição de ferro.
As datações indicam atividade de fundição entre o fim da Han Ocidental e parte da Han Oriental. O volume de resíduos permite estudar não só como o ferro era produzido, mas também como essa produção podia circular a partir de um centro urbano conectado a rotas regionais.
Cidade Han de Chengba revela muralha, oficinas e porta d’água - Imagem ilustrativa criada por inteligência artificial (ChatGPT / Olhar Digital)
Por que essa descoberta amplia o mapa urbano da dinastia Han?
A maior parte das cidades Han conhecidas em Sichuan se concentra na planície de Chengdu. Chengba amplia esse quadro para o leste da província, e o governo de Sichuan relaciona o sítio de Dangqu ao processo histórico de integração da antiga cultura Ba.
Muralha, cais, oficinas, documentos e metalurgia mostram uma cidade chinesa com funções variadas e ligação direta com o rio. A interpretação da porta d’água ainda depende de confirmação, mas, se estiver correta, Chengba preservará o único exemplo conhecido desse tipo para a dinastia Han.
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